Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
Durante quatro dias, a 7ª Agreste Tex reuniu, em Caruaru (PE), fabricantes e varejistas do mercado brasileiro de vestuário, com destaque para o jeanswear, importante segmento produtivo da indústria local.
O pólo de confecção do Agreste, compreendido por Caruaru, Toritama e Santa Cruz do Capibaribe, é sem dúvida o grande centro de produção do Nordeste e destaque no mapa da produção de vestuário nacional. A Agreste Tex, que teve a sétima edição realizada entre 19 e 22 de março, no Pólo Caruaru, é a síntese desta representatividade da indústria local.
Realizada pelo Febratex Group, a mostra reuniu 250 marcas, comercializadas pelas 80 empresas participantes da feira, resultando na movimentação de R$ 300 milhões em negócios.
Importante lembrar que Caruaru, turisticamente conhecida como a “Capital do Forró”, é também o centro que lidera a produção do Pólo Têxtil do Agreste, seguida por Toritama e Santa Cruz do Capibaribe.
A Agreste Tex 2024 apresentou, como novidade, o concurso Brasil Fashion Designers (BFD), com o objetivo de premiar jovens talentos. Paralelamente, deu continuidade ao espaço Statup Corner on the Road, reunindo startups que trabalham em prol do setor de confecção.
Para o diretor de Comunicação do Grupo Febratex, Hélvio Pompeo Júnior, o Polo de Confecções do Agreste segue em ascensão, ao mesmo tempo em que cai a informalidade no setor. “Especialmente voltado para confecções pernambucanas, o evento propõe-se, em seus quatro dias, a promover a interação entre os empresários e o que há de melhor em tecnologia para o setor”. O executivo ratifica o propósito de capacitação dos empresários e dos profissionais da região, garantindo a evolução de Pernambuco como pólo da moda nacional.
Jeanswear em números
A realização da 7ª Agreste Tex, em Caruaru, foi também oportunidade para o IEMI – Inteligência de Mercado levar ao público presente dados mais recentes e representativos sobre o setor.
Marcelo Villin Prado, diretor do IEMI, destacou que a indústria da confecção jeanswear no Brasil atingiu o patamar de R$ 14,4 bilhões em faturamento em 2022, por meio das 4,9 mil unidades produtivas. A produção, naquele ano, chegou a 288 milhões de peças, sendo 890 mil destinadas à exportação. Em contrapartida, o mercado brasileiro absorveu 3,5 milhões de peças importadas, para um consumo total de 290 milhões de unidades.
Conheça os estudos IEMI para o mercado têxtil e de vestuário.
Segundo o executivo do IEMI, na comparação com o ano anterior, a produção registrada em 2022 apresentou queda de 5,5% quanto ao volume de peças. No entanto, em valores nominais, houve alta de 1,2%.
Já quando analisado o consumo aparente – isto é, o total da produção somado às importações, menos as exportações –, entre 2018 e 2022, houve queda de 28,9% no volume de peças importadas. Já na comparação entre 2021 e 2022, a participação dos artigos importados foi de 1,2%.
O jeans e o consumidor
O levantamento realizado pelo IEMI mostra que, considerando os 204 milhões de habitantes do País e o consumo de 279 milhões de unidades, o gasto médio per capita é de R$ 128,00. O valor corresponde à compra anual de 1,4 peças por habitante. Os dados referentes a 2022 apontam queda de 8,2% no consumo de peças no mercado nacional.
Quando perguntado sobre a intenção de continuar usando jeans futuramente, 99% dos consumidores respondem afirmativamente. Entre os entrevistados, 87% consideram “a moda jeans” destinada a pessoas de todas as idades. Somente 12% remetem a peça aos jovens, enquanto apenas 1% associam o jeans a “pessoas mais velhas”.
Dentro da pesquisa IEMI, os consumidores também elencaram as características mais apreciadas quando o assunto é o jeans. Para 56% dos entrevistados “conforto no uso diário” é o aspecto mais almejado. Para 45% é a versatilidade e 40% também mencionaram o “design como estilo”. O jeans de marca é destacado por 13% dos ouvidos na enquete.
Para 80% dos consumidores ouvidos, o jeans é “peça fundamental no guarda-roupa, compatível com todos os estilos”. Para 19%, “é uma peça tradicional, com uso descompromissado”, e apenas 1% afirma não gostar do jeans.
Para mais detalhes sobre esta pesquisa relacionada à produção e consumo no segmento jeanswear, acesse o Estudo Mercado Potencial Moda Jeanswear 2023 e o site iemi.com.br/vestuário
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