Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
O desempenho do segmento jeanswear encontra no varejo alavanca para otimizar, ainda que de forma moderada, os números referentes ao consumo e faturamento.
O mercado brasileiro, sob o prisma do jeanswear, passa por novo período de amadurecimento. Esta perspectiva foi apontada pelo economista Marcelo Villin Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado. Levantamento detalhado sobre este segmento de vestuário foi apresentado por ele em palestra na Semana de lançamentos da Denim City SP, a convite da Covolan.
Comparando a pandemia a uma forte movimentação de águas, o executivo comenta que o leito do rio voltou ao normal, “mas as margens não são mais as mesmas”. Isto porque o impacto econômico gerado pela crise sanitária, somado aos novos modos de consumo e estilos de vida, são fatores a serem incorporados às estratégias.
Perfil o mercado
Ao lembrar que o vestuário ocupa o terceiro lugar no mercado de bens de consumo no país, Marcelo Prado assinala que 4,4% do gasto total das famílias brasileiras direciona-se à moda. “São dados que mostram que a roupa é, acima de tudo, um grande negócio”, destaca.
De fato, os números mostram crescimento, ainda que moderado, dentro do setor, tendo em vista dados da indústria e do varejo, ambos analisados pelo IEMI.
A indústria de vestuário como um todo apresentou um faturamento de R$ 157,7 bilhões em 2023, correspondente a um acréscimo de 4,9% em relação ao ano anterior. E o número de unidades produtivas de vestuário em geral cresceu 6,7%, passando para 20,8 mil em 2023.
Consumo aparente de vestuário
O número total de peças consumidas teve aumento de 11,9%, correspondente a 7,0 bilhões de peças em 2023. O dado mostra, porém, queda de 1,7% na fabricação de peças por parte da indústria brasileira, cuja produção foi de 5,1 bilhões de unidades em 2023.
O Brasil também importou, em 2023, 2,0 bilhões de peças importadas, ou 71,7% a mais do que o ano anterior, para suprir a demanda interna.
Crescimento no varejo de vestuário em geral
Os dados relativos ao varejo de vestuário como um todo por sua vez, são expressivos, como mostram o levantamento e a análise do IEMI. Os números consolidados sobre 2023 revelam que o varejo de roupas obteve um faturamento de R$ 278,8 bilhões, ou 5% a mais do que em 2022. Foram 6 bilhões de peças comercializadas, sendo 80% delas confeccionadas no Brasil. O faturamento foi maior nesse ano, embora o volume de peças vendidas tenha sido 4,1% inferior ao de 2022.
O preço médio por peça cresceu 7,9%, chegando a R$ 47,00, com um número de pontos de venda também maior – 154 mil (15,7% superior). O varejo on-line também despontou. Foram R$ 23,1 bilhões comercializados por e-commerce, representando 8,3% do total.
Conheça os estudos IEMI para o mercado têxtil e de vestuário.
Curva ascendente do jeanswear
Os números do IEMI ressaltam o potencial de produção e os investimentos relativos à indústria do setor. Marcelo Prado destaca aumento de 10,2% no número de confecções exclusivamente focadas no jeanswear, que hoje chegam a 5,4 mil unidades pelo país.
Já no varejo, o levantamento do IEMI registra que o consumidor brasileiro adquire 1,3 peças do tipo jeans ao ano, gastando em média para isto R$ 128. O total de peças comercializadas pelo varejo foi de 273 milhões em 2023, com preço unitário gerando em torno de R$ 97,50.
Mais uma vez é preciso lembrar que o segmento ainda vive os efeitos tardios da pandemia. Tanto é que a produção de 280 milhões de peças significa queda de 2,6% em relação a 2022. As exportações atingiram 874 mil peças (1,8% a menos), para 5,2 milhões de peças importadas (46,0% a mais que no ano anterior). Já o consumo total em 2023 chegou a 284 milhões de peças (2% a menos).
Informações atualizadas sobre o desempenho do setor, necessárias para decisões estratégicas dos negócios estão na nova edição do estudo do Mercado Potencial de Tecidos Índigo e Brim e Vestuário de Jeanswear no Brasil e no site iemi.com.br/vestuario
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