Indústria moveleira une inteligência de mercado e tendências globais

Indústria moveleira une inteligência de mercado e tendências globais

Por Eleni Kronka

Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.

Crescimento e participação global de empresas brasileiras do setor passam necessariamente pela aquisição de dados, que podem impactar diretamente nas decisões estratégicas de competitividade e crescimento.

Dados do Estudo do Mercado Potencial de Móveis em Geral 2026, elaborado pelo IEMI – Inteligência de Mercado, indicam que, em 2025, os móveis de madeira responderam por 89% da produção de móveis no País. O levantamento contempla móveis de madeira, metal e outros materiais, com informações coletadas junto a micro, pequenas, médias e grandes empresas instaladas nas cinco regiões brasileiras.

Sudeste concentra produção nacional

No mercado interno, a região Sudeste mantém protagonismo industrial, concentrando 39% da produção nacional de móveis em geral. A região reúne o maior número de fabricantes e, consequentemente, o maior volume de peças produzidas. Paralelamente, o Brasil permanece como importante consumidor e importador da categoria, tendo a China (73%) como principal fornecedor quando considerados os valores negociados em dólar.

Inteligência estratégica há duas décadas

Há 20 anos, o IEMI desenvolve, em parceria com a Abimóvel (Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário) e o Programa Brazilian Furniture (Apex-Brasil), o estudo que dá origem ao Relatório Brasil Móveis, referência nacional para análise do setor. Ao integrar dados sobre matérias-primas, insumos, produção, distribuição, mercado interno e exportações, o instituto transforma números em inteligência estratégica. “Cada estudo é realizado de tal forma que o conjunto de dados se transforme em informações estratégicas para as empresas nacionais”, afirma Marcelo Prado, diretor do IEMI.

Tendências de cores impulsionam inovação

Para além dos indicadores econômicos, a estética da produção ganha relevância crescente na indústria moveleira. Segundo Marcelo Cenacchi, diretor geral da Renner Sayerlack – líder latino-americana na fabricação de tintas e vernizes para madeira –, as propostas de moda, como as cores sugeridas pela Pantone, impactam positivamente o setor de insumos. “As tendências de cores funcionam como um direcionador de comportamento e ajudam a indústria a antecipar movimentos do mercado”, ressalta.

Da cor ao acabamento, técnica e estética

De acordo com Cenacchi, o desafio não está apenas em reproduzir uma tonalidade, mas em interpretá-la tecnicamente em diferentes tecnologias. “Não se trata apenas de reproduzir uma cor, mas de interpretá-la tecnicamente em diferentes tecnologias, acabamentos, combinações com a madeira ou lâminas de madeira natural, níveis de brilho e efeitos especiais. Tudo se dá para que o setor moveleiro possa absorver as tendências em seus produtos e orientar os próximos lançamentos”, destaca.

O executivo observa que o mercado tem evoluído na incorporação dessas referências. “Hoje existe uma integração maior entre indústria, arquitetura e design, o que torna as tendências essenciais no desenvolvimento de novos produtos”. Segundo Cenacchi, “fabricantes, especialmente os voltados ao mobiliário de médio e alto padrão, já utilizam essas informações como base para a criação de coleções e para o posicionamento da marca”, frisa.

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Integração com o cenário internacional

Cenacchi também ressalta que o setor acompanha de perto eventos globais. “Além das referências como as cores da Pantone, os fabricantes acompanham feiras internacionais, como o iSaloni, para captar movimentos mais amplos de design, materiais e acabamentos”. A Sayerlack, segundo ele, colabora no sentido de traduzir essas tendências em soluções aplicáveis, “sempre adaptadas ao perfil do consumidor e ao posicionamento dos móveis produzidos no mercado brasileiro”, afirma.

Cor como expressão de identidade e inovação

A percepção do consumidor também evoluiu, segundo o executivo. “O consumidor está mais exposto a referências visuais e de estilo, principalmente por meio das redes sociais e plataformas de inspiração”, salienta. Para o dirigente, mesmo quando não reconhece uma tendência de forma técnica, esse consumidor “percebe e valoriza as mudanças no design, nas cores e nos acabamentos”. A escolha de um móvel, na visão de Cenacchi, vai além da funcionalidade. “Há uma busca por identidade, bem-estar e conexão com o ambiente”.

Pantone, vetor de tendências

Laurie Pressman, vice-presidente do Pantone Color Institute, reforça o papel simbólico da cor ao comentar a proposta para 2026: “O Pantone Cloud Dancer é um tom de branco leve e etéreo, que reflete a busca por equilíbrio entre o futuro digital e a necessidade primordial de conexão humana. Trata-se de um espaço liminar que funciona como plataforma de lançamento para a expressão criativa, à medida que pessoas e comunidades experimentam além dos limites tradicionais, abrindo caminho para a inovação”.

Diretrizes e dados

Os estudos elaborados pelo IEMI caminham lado a lado com o desempenho das empresas e políticas que conduzem o setor. Afinal, são duas décadas de acompanhamento e coleta de dados, que se tornam essenciais para a análise e desempenho do mercado. Para saber mais sobre estas e outras pesquisas, clique em iemi.com.br ou acesse os levantamentos já realizados.

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