Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
Sob o impacto da pandemia e de outros fatores conjunturais, o varejo de moda brasileiro de vestuário iniciou nova década com moderada tendência de alta.
O varejo de vestuário viveu, sem dúvida, um dos momentos mais desafiadores nos últimos anos, seja pelo cenário político e econômico do país, seja pelo impacto gerado pela pandemia da Covid-19.
Os números levantados pelo Estudo dos Canais do Varejo de Vestuário, realizado pelo IEMI – Inteligência de Mercado, permitem um dimensionamento do varejo deste segmento no Brasil. A partir da nova edição deste estudo (que será lançado em 2023), será possível a análise sobre o desempenho dos principais canais de venda entre 2017 e 2022.
Diferenças regionais, tipos de produto, presença dos importados, curva de preços e mão de obra são alguns dos aspectos abordados. Ao rastrear os dados do setor, a pesquisa aponta a evolução do varejo físico, com picos de vendas em contraponto a momentos críticos, e a participação essencial do comércio online neste período.
O panorama brasileiro em relação à renda impacta diretamente nos resultados do setor. O IEMI mostra, neste sentido, que houve aumento de 6,9% na renda média per capita, no intervalo entre 2012 e 2022. O pico histórico foi registrado em 2013, quando atingiu o patamar de 7,7% e uma venda estimada de 6,45 bilhões de peças comercializadas no varejo de roupas nacional.
O ano de 2014 é caracterizado pela inflação e queda de vendas, sucedido por 2017, quando houve um breve momento de recuperação, com alta de 0,5% na renda per capita do brasileiro, após a pior crise econômica já vivida pelo país, em sua história contemporânea.
Conheça os estudos IEMI para o mercado de vestuário.
Evolução das vendas
Embora no período de cinco anos (2017 a 2021) tenha havido queda aproximada de 3,5% no volume de peças, em valores nominais o crescimento chegou próximo dos 3%. Só em 2021, o volume comercializado de peças voltou a ultrapassar a marca de 6 bilhões de peças, para um montante de R$ 230 bilhões em vendas. Em 2022, marcado por um forte aumento das importações, o varejo de vestuário alcançou uma cifra próxima a 6,3 bilhões de peças e uma venda estimada em R$ 266 bilhões, onde os preços médios dos produtos comercializados sofreram uma alta histórica, de 12,8%, mas ainda aquém dos volumes observados antes da pandemia.
Em todo o território brasileiro, o vestuário conta com 142 mil pontos de vendas, entre aqueles que são especializados e os que não são. Apesar de o estudo apontar a queda da ordem de 16 mil estabelecimentos no intervalo computado pela pesquisa, o segmento contou com forte presença das lojas de departamento para alavancagem dos números.
Em 2022, por exemplo, as lojas de departamento não especializadas e hipermercados, focados na venda de produtos orientados por preço, foram os únicos no varejo físico a apresentar crescimento. O e-commerce, por sua vez, turbinado pelos importados e em especial para competição de sites estrangeiros, que entram com produtos sem impostos no país, mais do que dobraram no país (2,2x). foram os apresentaram aumento acima de 11% no volume comercializado. Em 2022, as lojas multimarcas (não organizadas em redes), representaram quase 35% do volume de pelas comercializadas e lideram como o principal canal de venda de roupas no país, seguido pelas lojas de departamento especializadas em moda.
No Brasil, 47,4% dos pontos de venda de vestuário estão concentrados na região Sudeste. Além deste aspecto regional, a concentração também aparece do ponto de vista da renda: as classes B e C respondem por quase 70% do consumo de vestuário em todo o país.
Quanto ao preço médio gasto pelo consumidor de vestuário no varejo local, o valor fica em torno de R$ 42,40 por peça. A participação dos artigos importados no varejo, segundo o volume de peças, corresponde a 20,2% de todo o mix comercializado, somente no varejo físico, sem contar o peso das vendas online.
Estes e outros dados estratégicos sobre o mercado estão disponíveis no Estudo dos Canais do Varejo de Vestuário 2022 e no site do IEMI (iemi.com.br/vestuario)
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