Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
Há exatos 25 anos, o Pantone Color Institute lançava o programa Cor do Ano, com informações sobre o mercado e dados técnicos importantes para uso de cores pelos diferentes segmentos da indústria.
Desde 1999, a Pantone traz para os mais diversos segmentos da produção informações precisas, concretizadas na proposta da Cor do Ano. Assim, há exatos 25 anos, o Pantone Color Institute apresentava o programa educacional Pantone Cor do Ano para engajar a comunidade de entusiastas de todo o mundo. O objetivo era trazer esse tema para conversas, estudos e debates ligados ao design e desenvolvimento de produtos.
A vice-presidente do Pantone Color Institute, Laurie Pressman, afirma que o objetivo sempre foi o de destacar a relação entre a cultura e a cor, mostrando que “aquilo que ocorre no cenário global pode ser expresso pela linguagem da cor”.
Para celebrar este marco, o IEMI – Inteligência de Mercado traz considerações de profissionais da moda sobre a cartela Pantone, cuja metodologia foi idealizada em 1962, nos Estados Unidos. Desde então, é uma das principais ferramentas na área da criação.
Do fio ao balcão
A superintendente do Comitê Brasileiro de Normalização Têxtil e de Vestuário da ABNT, Maria Adelina Pereira, frisa que a Pantone tornou-se sinônimo de fidelidade para a indústria. “São realizados tantos testes para a qualidade da cor que, se a cor não vem perfeita, é uma desilusão, que pode se transformar em prejuízo”.
A executiva da ABNT observa que é comum a área técnica deparar-se com informações subjetivas. “Diante da demanda por um ‘vermelho marsala’ ou de um ‘amarelo que transmita energia’, o Pantone nos salva”, assegura.
Adelina, que já passou pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT/USP), lembra que o Exército Brasileiro, há muitos anos, recorreu à instituição para conseguir a unificação da cor de seus uniformes. “Isto foi possível pois o IPT dispunha de um colorímetro, equipamento para verificação da cor. Hoje, a Pantone tornou-se uma das ferramentas mais eficazes para esta constatação para o têxtil em geral”.
Já a engenheira têxtil Marli Vernille, que atua na área de importação, lembra que o mercado têxtil e vestuário é um grande sistema, com muitas etapas, que vão da produção da matéria-prima ao produto acabado, chegando ao varejo e ao consumidor final. “Quando a criação define o produto, as informações vão para a confecção, até chegar ao varejo. Mesmo que a produção esteja na China, o cliente receberá a prova de cores, com o aval da Pantone”.
Certificação numérica
Para uma grande empresa têxtil com o porte da Santista Jeanswear, a cartela Pantone é presença essencial. “Este é um recurso muito presente na linha dos coloridos”, comenta a gerente de Comunicação e Moda, Sueli Pereira. “Tanto para os desenvolvimentos em lavanderia, como na escolha dos temas de cada temporada, o código numérico é ferramenta essencial para a garantia da cor”.
Conheça os estudos IEMI para o mercado têxtil e de vestuário:
Da indústria ao artesanal
Designer atuante há 40 anos na indústria do vestuário e hoje dedicada à criação autoral, Maria Goretti da Silva dá ênfase a dois aspectos da metodologia Pantone. “A Cor Pantone do Ano, por exemplo, é resultado de uma grande pesquisa. Os diversos profissionais envolvidos farão uma síntese que resultará na expressão do zeitgheist (o espírito do tempo)”. Outro aspecto destacado é a técnica. “A Pantone trabalha com uma combinação numérica, que é linguagem universal, objetiva e precisa”.
Carolina Roseira de Santi, responsável pelo estilo da Lihoa, por sua vez, preocupa-se com a cor e com a sustentabilidade das coleções. “O livro TCX da Pantone me acompanha no trabalho de criação. Foi assim na Bo.Bo e em outras marcas”, revela. A escolha do shape e das cores tem como fonte as referências do WGSN. Mas a produção dos tecidos só se dá com a metodologia Pantone.
Carol Roseira está agora em nova fase. Ao lado da mãe, Ana, e da irmã Giu, finaliza detalhes para lançar a Roseiritas, marca própria de vestidos, com pegada romântica no estilo e sustentável no conceito. “Com tecidos naturais e artificiais, seguiremos atentas às cores da tendência”, assegura.
Cada etapa conta pontos
Os números relativos à cadeia têxtil brasileira mostram a importância de as informações de moda, como as cores de cada temporada, chegarem a todos os setores.
Segundo o Brasil Têxtil 2023 – Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira, com números que abarcam todos os elos de produção do vestuário, o país conta com 332 fiações. Estas unidades respondem pela produção total de 1,147 milhão de toneladas de fibras têxteis, entre naturais, artificiais e sintéticas.
Na etapa da tecelagem, são 549 unidades produtivas, responsáveis pela fabricação de 1,1 milhão de toneladas de tecidos planos, o que gerou, em 2022, R$ 39,6 bilhões em valor de produção.
O levantamento do IEMI mostra que há no país 627 malharias, que geraram 452 mil toneladas, em 2022, com faturamento de R$ 17,9 bilhões naquele ano.
Outro elo importante é o do beneficiamento, com 1.026 unidades produtivas, responsáveis pela geração de 296,7 mil toneladas de fios beneficiados. Já o montante de tecidos planos beneficiados chegou a 848,6 mil toneladas em 2022, para 370 mil toneladas de malhas beneficiadas naquele momento.
Saiba mais sobre o desempenho destes e de outros segmentos da indústria têxtil nacional acessando o Brasil Têxtil 2023 – Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira e o site iemi.com.br/textil.
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