Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
Pesquisa inédita revela nova arquitetura tecnológica do setor, apontando rumos da revolução digital na indústria do vestuário brasileiro.
Pesquisa elaborada pelo IEMI – Inteligência de Mercado, apresentada durante o Congresso Internacional Abit, em outubro, revelou um panorama detalhado sobre a adoção de tecnologias digitais pelas empresas de confecção no Brasil. Segundo o levantamento, 70% das 280 empresas consultadas já utilizam soluções digitais na gestão da produção e na automação industrial, enquanto as demais ainda não aderiram, mas sinalizaram interesse em fazê-lo. Para o diretor do IEMI, Marcelo Prado, o movimento representa um divisor de águas no setor, pois indica mudança importante na cultura produtiva.
Salto tecnológico das fábricas
Ao comentar a natureza dessa transformação, Marcelo Prado afirma que, entre as empresas mais bem estruturadas, a ordem de adoção tecnológica segue padrões claros. Ele destaca que “o ERP na gestão empresarial já está presente em 63% das empresas, o CRM aparece em 28% para o relacionamento com clientes, enquanto a conectividade aplicada às salas de produção e ao maquinário alcança 14%”. Prado frisa que este encadeamento tecnológico cria uma base operacional capaz de sustentar novos modelos de gestão e ampliar a competitividade industrial.
Sistemas digitais: implantação e foco estratégico
O IEMI também investigou o estágio de implantação dessas soluções digitais entre as empresas que já estão digitalizadas, equivalentes aos mesmos 70% da amostra. Quase metade delas (48%) declara estar com os processos completamente implementados, enquanto 52% afirmam estar em fase de implantação parcial. Prado destaca que a curva de crescimento demonstra maturidade do setor: “A digitalização deixa de ser tendência para se tornar condição mínima de permanência no mercado”.
Tecnologia como investimento planejado
No que se refere à previsão orçamentária, o levantamento identifica que 39% das empresas digitalizadas já possuem orçamento final destinado à implementação de tecnologias digitais, com média de 2,4% sobre o faturamento anual. Para Marcelo Prado, o indicador revela planejamento estratégico. “Não se trata apenas de comprar equipamentos, mas de redesenhar processos e garantir a longevidade da operação”, observa.
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Produtividade, corte automatizado e redução de resíduos
O estudo também avalia aspectos que vão além da adoção de softwares. Entre os destaques estão os indicadores de produtividade, o avanço da automação no processo de corte e o monitoramento do percentual de sobras de tecidos, evidenciando um setor mais atento a métricas de desempenho e desperdício. Prado comenta que estes elementos ganham destaque entre as empresas quando se trata de aumentar a eficiência operacional.
Capacitação como motor de transformação
Outro ponto central da pesquisa é a formação profissional. O IEMI constata que 99% das empresas priorizam a capacitação técnica dos colaboradores, com forte participação do Senai em programas voltados à produtividade, transformação digital, descarbonização e adesão ao Programa Brasil Mais Produtivo (B+P).
Visão de mercado: inteligência artificial e novas fronteiras
O estudo também encontra ressonância no setor privado, especialmente entre empresas fornecedoras de tecnologia. Para Matheus Fagundes, CEO da Audaces, os resultados confirmam uma realidade global: “Nossa relação com mais de 20 mil clientes em 100 países mostra a utilização de tecnologias muito similar ao estudo feito pelo IEMI. Os ganhos em tempo de criação, assertividade das coleções, experiência do cliente e claro, redução de custos e resíduos é algo que, mesmo utilizado por algumas empresas, tem espaço para avanços com a evolução constante das tecnologias. Uma delas, sem dúvidas, é a IA”.
Para o CEO da Audaces, a inteligência artificial ampliará capacidades profissionais e transformará a gestão dos negócios. “A IA, no entanto, vai muito além de responder a algumas perguntas ou criar imagens. Por este recurso, é possível mudar a gestão de todas as áreas de uma empresa. Gestores, profissionais da criação e o consumidor sairão ganhando com esta cadeia integrada”.
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