Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
O Relatório Brasil Têxtil 2023 recentemente lançado pelo IEMI traz números da indústria nacional que permitem uma análise sob o viés da sustentabilidade.
Os números da indústria têxtil e de confecção nacional são grandiosos. São 24,3 mil unidades produtivas que geraram R$ 193,2 bilhões em 2022. As exportações do setor somaram US$ 4,8 bilhões no mesmo período. A mão de obra é igualmente representativa: 1,33 milhão de empregos diretos.
Os dados constam do Brasil Têxtil – Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira 2023, produzido pelo IEMI – Inteligência de Mercado.
A pesquisa mostra que na produção de têxteis, somente a categoria de fibras e filamentos apresentou crescimento no quesito do “volume produzido”. Isto é, entre 2021 e 2022, houve variação positiva de 2,8%.
De forma mais detalhada, o Relatório informa que foram produzidas 257,14 toneladas de fibras e filamentos pela indústria nacional em 2021, contra 264,47 em 2022.
Potencial do setor
O segmento de fiações apresentou, em 2022, um total de 332 unidades de produção, assim distribuídas: Norte (3), Nordeste (80), Sudeste (135), Sul (83) e Centro-Oeste (31).
Quanto às matérias-primas, a produção de fios de algodão atingiu o patamar de 991,2 mil toneladas. As fibras artificiais e sintéticas totalizaram 127,36 mil toneladas naquele ano. Entre elas, destacaram-se: o poliéster (91,19 mil ton.), o acrílico (10,33 mil ton.) e a viscose (8,65 mil ton.).
A soma de toda a produção de fios no Brasil atingiu a marca de 1,147 milhão de toneladas em 2022, conforme aponta o Relatório Brasil Têxtil.
Pegada sustentável
A indústria têxtil de modo geral procura trabalhar cada vez mais em torno da questão da preservação ambiental e da produção sustentável. Isto se dá em escala global e no país.
O Première Vision, por exemplo, unindo as vozes do momento que repercutem a importância do estudo e investimentos sob este aspecto, faz alertas. Juntamente com empresas e órgãos representativos, destaca que, em 30 anos, o volume de produção de materiais celulósicos triplicou no mundo. Consequência direta é a destruição de florestas primárias e a danos para a biodiversidade.
Conheça os estudos IEMI para o mercado têxtil e confeccionista.
Segundo estudos, florestas antigas são capazes de absorver 40 vezes mais carbono do que as florestas de plantações industriais. A associação sem fins lucrativos Canopy, por sua vez, revela que metade dos materiais artificiais ainda provém delas.
O primeiro passo é garantir o manejo florestal e, na medida do possível, a proteção de florestas antigas. As práticas de manejo florestal sustentável podem ser verificadas por meio de duas certificações: FSC, criada em 1993 para preservar florestas antigas, e a PEFC, que certifica principalmente madeiras europeias e sul-americanas e cujo sistema de rastreabilidade avalia as operações ao longo do processamento da madeira.
Para saber mais sobre o desempenho deste segmento da indústria e as possibilidades visando à sustentabilidade, acesse o Brasil Têxtil 2023 – Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira e o site iemi.com.br/textil
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