Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
Consumo interno de artigos de vestuário cresce 9,8% entre 2021 e 2025, mas produção nacional recua 1,9% e importações avançam 105% no mesmo período, aponta estudo do IEMI.
A balança comercial brasileira de artigos de vestuário passou por mudanças relevantes entre 2021 e 2025, período marcado pela pandemia, alterações no comportamento do consumidor, conflitos internacionais e mudanças nas relações comerciais. Levantamento do IEMI – Inteligência de Mercado mostra que a produção brasileira recuou 1,9% no quinquênio, passando de 5,5 bilhões para 5,4 bilhões de peças. Em valores nominais, porém, houve crescimento de 19,2%.
Comércio exterior muda de escala
No comércio exterior aparece uma das principais transformações. O resultado da balança comercial de artigos de vestuário foi negativo, da ordem de 116,1% entre 2021 e 2025. Segundo Marcelo Prado, consultor e diretor do IEMI, as importações mais do que dobraram, passando de US$ 1,14 bilhão para US$ 2,35 bilhões, alta de 105%. As exportações também cresceram, mas em ritmo menor: de US$ 155 milhões para US$ 207 milhões, expansão de 33,7%.
Consumo interno mantém trajetória de alta
Enquanto a produção doméstica apresentou leve retração em volume, o mercado brasileiro avançou. O consumo interno aumentou 9,8% em volume de peças. Em faturamento teve alta nominal de 22,8%. Os números mostram a expansão de um mercado que atravessou um período de forte instabilidade econômica e internacional.
Importados ampliam participação
A presença dos produtos estrangeiros no abastecimento do mercado interno também ganhou espaço. De acordo com o IEMI, a participação dos artigos importados no consumo brasileiro, em número de peças, subiu de 12,9%, em 2021, para 22,2%, em 2025. Entre 2024 e 2025, o volume de peças importadas aumentou 8,7%. O movimento amplia a presença de fornecedores externos em um mercado que combina crescimento do consumo e relativa estabilidade da produção nacional.
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Um quinquênio marcado por incertezas
A análise dos resultados precisa considerar o ambiente em que o setor operou. O período começou sob os efeitos da pandemia de Covid-19 e das rupturas nas cadeias globais de produção e logística. Na sequência, conflitos internacionais, inflação, custos de insumos e transporte e alterações nas políticas comerciais de grandes mercados acrescentaram incertezas às decisões empresariais. Em 2025, o comércio exterior brasileiro também enfrentou a elevação das tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros.
Para saber mais sobre o desempenho do setor e os diferentes segmentos que o compõem, acesse o site do iemi.com.br e tenha acesso aos estudos setoriais. Acompanhe também as análises sobre diferentes pesquisas produzidas pelo IEMI ou ainda fale com um consultor.
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