Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
A indústria têxtil nacional vive momento-chave, com avanço da produção, pressão das importações e potencial de agregação de valor com o processamento nacional do algodão, segundo estudo do IEMI.
A produção brasileira de fios e tecidos faturou R$ 76,6 bilhões em 2025, crescimento nominal de 5,9% em relação ao ano anterior. Apesar da pressão das importações e dos desafios conjunturais, o setor registrou avanço na produção e no consumo, segundo dados apresentados por Marcelo Prado, diretor do IEMI – Inteligência de Mercado, durante o Painel 7 do Congresso Internacional Brasil 2026, realizado em 14 e 15 de outubro, em Fortaleza.
Com o tema “Brasil: capacidades, cadeia de valor integrada e oportunidades de investimento”, o painel também reuniu Laurent Aucouturier, consultor da Gherzi Textile Organisation AG; Rodolfo Margato, vice-presidente de Pesquisa Econômica da XP Investimentos, e Fábio Marimon, gerente da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional. A mediação foi do diretor-superintendente da Abit, Fernando Pimentel.
O Congresso teve realização da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), da International Textile Manufacturers Federation (ITMF) e da International Apparel Federation (IAF), reunindo empresários e lideranças nacionais e internacionais para discutir perspectivas e desafios do setor. A oportunidade também destacou o lançamento da 26ª edição do Relatório Setorial da Indústria Têxtil Brasileira – Brasil Têxtil 2026.
Produção avança e importações crescem
Ao analisar a evolução da indústria, Prado destacou o desempenho mais recente da cadeia produtiva. Em 2025, a produção nacional de fios e tecidos superou 2,2 milhões de toneladas, alta de 0,5% sobre 2024.
“Apesar dos muitos desafios conjunturais internos e externos, em que pesem as crescentes importações, o setor têxtil apresentou crescimento de 5,9% em valores nominais de produção entre 2024 e 2025, quando o país atingiu a marca de R$ 76,6 bilhões em faturamento”, assinalou o executivo.
O avanço da produção ocorre em paralelo ao aumento da entrada de produtos estrangeiros. Segundo os dados apresentados pelo diretor do IEMI, as importações de artigos têxteis somaram cerca de 1,03 milhão de toneladas em 2025, volume 5,1% superior ao registrado em 2024. No mesmo período, o consumo aparente de fios, tecidos e confeccionados alcançou 2,93 milhões de toneladas, crescimento de 2,4%.
Os números reforçam a importância de acompanhar a concorrência externa e a capacidade da indústria nacional de atender à demanda do mercado interno, em um ambiente no qual produção, importações e consumo evoluem em ritmos distintos.
Indústria de vestuário e têxteis lar ampliam o panorama
O levantamento do IEMI também contempla o segmento de artigos de vestuário e têxteis para o lar, ampliando a dimensão da cadeia produtiva brasileira. “A soma dos dois setores resulta em 21,8 mil unidades produtivas”, afirmou Prado.
Em 2025, a produção englobando os dois segmentos chegou a 6,4 bilhões de peças, crescimento de 0,5% e R$ 214,4 bilhões em valores da produção, avanço de 5,9% em relação ao ano anterior. As exportações somaram 68 milhões de unidades, enquanto as importações alcançaram 1,8 bilhão de peças. No mercado interno, o consumo totalizou 8,2 bilhões de unidades, alta de 2,5%.
O volume importado evidencia o peso dos produtos estrangeiros no abastecimento do mercado brasileiro. Para a indústria nacional, os dados ajudam a dimensionar tanto a demanda existente quanto as oportunidades de ampliar a participação dos fabricantes locais.
Conheça os estudos IEMI para o mercado têxtil e confeccionista.
Algodão predomina na cadeia produtiva
A composição das matérias-primas é outro destaque do estudo. O algodão mantém posição predominante na indústria brasileira, embora sua participação varie conforme o segmento produtivo.
Na fiação, a fibra responde por 87% das matérias-primas utilizadas, seguida pelo poliéster, com 7%, pela viscose, com 1%, e por outras fibras, que representam 5%. Na tecelagem, o algodão corresponde a 57% da composição, enquanto o poliéster representa 25%, a viscose, 1%, e as demais fibras, 17%.
No segmento de malhas, a participação do algodão chega a 45%, ante 30% do poliéster e 10% da viscose. As demais fibras somam 14%. Já na produção de nãotecidos, a presença do algodão cai para 4%, o poliéster representa 34%, a viscose, 3%, e as demais fibras, 59%.
“Na soma geral, a presença do algodão na produção têxtil brasileira chega a 59%”, afirma Prado. O executivo ressaltou ainda a disponibilidade da matéria-prima no país: segundo os dados apresentados, 98% do algodão utilizado pela indústria brasileira é de produção nacional.
Industrialização nacional pode agregar valor
Apesar da forte presença do algodão na cadeia produtiva e da disponibilidade interna da fibra, o Brasil pode ampliar seu processamento industrial. Terceiro maior exportador mundial de algodão, o país industrializa internamente apenas 20% da fibra brasileira, conforme destaca Prado.
Para o diretor do IEMI, ampliar essa participação depende também de medidas capazes de estimular o beneficiamento e a transformação da matéria-prima localmente. “O desafio hoje é a criação de uma política pública que amplie consideravelmente essa taxa, o que significará uma alavancada em agregação de valor e aumento de receita”, concluiu.
Para aprofundar conhecimento sobre o setor, consulte os estudos setoriais do IEMI, voltados às indústrias têxtil e de confecção, em iemi.com.br, ou entre em contato com um consultor do instituto.
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