Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
IEMI indica avanço gradual da indústria moveleira em 2026, sustentado pelo emprego e renda, mas limitado por juros altos e incertezas econômicas.
Responsável por 1,7% do consumo de bens no país, o setor moveleiro ocupa a nona posição no ranking nacional, atrás de segmentos como alimentos no domicílio (10%), aquisição de veículos (4,9%) e vestuário (3,9%). Mesmo assim, mantém relevância estratégica dentro da indústria de transformação, especialmente pela capilaridade produtiva e pela geração de empregos.
Duas décadas de acompanhamento do mercado
Há 20 anos, o IEMI – Inteligência de Mercado realiza, em parceria com a Abimóvel, o estudo que dá origem ao Relatório Brasil Móveis, referência para a análise do setor. Ao integrar dados sobre matérias-primas, insumos, produção, distribuição, comércio interno e exportações, o instituto transforma números em inteligência estratégica para as empresas do setor. “Cada estudo é realizado de tal forma que o conjunto de dados se transforme em informações estratégicas para as empresas nacionais”, afirma Marcelo Prado, diretor do IEMI.
Evolução da indústria e do emprego
Desde 2004, o setor moveleiro brasileiro apresentou crescimento expressivo em sua estrutura produtiva. Nesse período de 20 anos, o número de indústrias aumentou 55%, enquanto o volume de empregos cresceu 25%. Atualmente, o setor conta com 22,3 mil unidades produtivas, responsáveis por aproximadamente 282,7 mil postos de trabalho em todo o país.
Desempenho recente da produção e do consumo
Em 2024, a indústria moveleira e de colchões registrou a produção de 439,9 milhões de unidades, um avanço de 8,6% em relação ao ano anterior. O mercado interno absorveu 438,2 milhões de peças, com crescimento real de 9,7%, reforçando a importância do consumo doméstico para a sustentação do setor. No comércio exterior, as exportações avançaram 7,9% em volume, mantendo participação semelhante à de 2024 e levemente superior ao patamar pré-pandemia.
Conheça os estudos IEMI para o mercado de móveis e colchões.
Projeções e desafios para 2026
Para 2026, o estudo do IEMI projeta um cenário de crescimento moderado. A indústria deve registrar aumento de 0,5% na produção em volume e de 2,8% em valores nominais, enquanto o varejo tende a crescer 1,5% em volume de vendas e 4,5% em valores.
Entre os fatores que podem favorecer este desempenho estão: elevação do emprego e da renda das famílias, programas sociais e políticas de estímulo ao consumo, além da redução do Imposto de Renda para as classes média e média/baixa.
Por outro lado, inflação persistente, juros elevados, endividamento das famílias, a realização da Copa do Mundo em julho – que tradicionalmente impacta o fluxo do varejo – e a baixa taxa de investimento privado, influenciada pelo ambiente eleitoral e pela reforma tributária, devem atuar como freios ao avanço do setor.
Dados para a tomada de decisões
Para mais informações sobre este e os demais estudos disponíveis sobre o setor moveleiro, acesse o site iemi.com.br e os estudos realizados ao longo dos anos. Se desejar o acesso a sínteses das pesquisas, acesse os conteúdos do IEMI.
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