Por Eleni Kronka
Jornalista, pesquisadora e editora de conteúdo.
Instituto pioneiro surgiu em meio à abertura da economia e tem papel decisivo no fortalecimento da cadeia têxtil e de confecção.
Entendendo o mercado B2B antes mesmo do termo existir, o IEMI – Inteligência de Mercado completou 40 anos, no último dia 24 de julho de 2025, com uma trajetória marcada por pioneirismo, análise estratégica e apoio técnico à indústria brasileira. Criado em 1985, o instituto nasceu com o objetivo de estudar e mapear oportunidades no chamado marketing industrial, ou B2B, mesmo antes dessa nomenclatura se popularizar, como lembra Marcelo Villin Prado, sócio-diretor. “À época, o Brasil ainda vivia sob um regime de economia fechada, e o mercado interno era quase exclusivamente abastecido por produtores nacionais”, observa.
O desafio da abertura econômica dos anos 1990 expôs as fragilidades da indústria brasileira, acostumada à proteção tarifária e ao baixo investimento em inovação. “Era uma estrutura com tecnologia defasada, equipamentos ultrapassados e pouca capacidade de competir com os produtos modernos que começavam a entrar no país”, explica Marcelo Prado. Foi nesse contexto que o IEMI se consolidou como uma ferramenta essencial para as empresas entenderem o novo cenário e buscarem modernização.
Apoio estratégico para políticas públicas também passou a ser parte da missão do instituto. Com estudos estruturais e conjunturais detalhados, o IEMI subsidiou decisões de sindicatos, associações e órgãos públicos na formulação de ações e políticas industriais. “Os dados ajudaram, por exemplo, em processos contra o dumping no setor calçadista e na identificação de oportunidades internacionais ainda inexploradas pelo Brasil”, ressalta o empresário.
Inteligência de mercado para expandir fronteiras foi uma das contribuições mais relevantes do IEMI. Análises sobre barreiras comerciais, perfil de consumidores estrangeiros e competitividade internacional serviram para abrir caminhos para o setor têxtil e de confecção em países com grande potencial, mas ainda pouco explorados por empresas brasileiras. “Em muitos casos, bastava uma visita comercial ou a remoção de entraves simples para se criar uma nova rota de negócios”, assinala Marcelo Prado.
Fomento a polos produtivos e inclusão de pequenos negócios também compõem o legado do instituto. O IEMI ajudou a estruturar estratégias de crescimento para regiões como Juruaia (MG), reconhecida pela produção de moda íntima, que encontrou na venda on-line e na conexão com representantes comerciais uma nova forma de atuação durante e após a pandemia. “Criamos um modelo de confecção mais resiliente, com maior alcance e maior potencial de faturamento”, destaca Prado.
O caso do Projeto Pró-Sertão, no Rio Grande do Norte, é outro exemplo emblemático. A ação mobilizou mais de 100 oficinas de costura por meio de uma articulação entre governo, Sebrae e setor privado. O IEMI entrou para mapear as potencialidades da região e orientar o desenvolvimento de soluções produtivas. “Casos como este podem resultar em uma transformação poderosa: ao oferecer serviços como private label, por exemplo, o pequeno empreendedor ganha autonomia, acessa novos mercados e pode até desenvolver sua própria marca”, afirma.
Quatro décadas depois, o IEMI continua essencial para o fortalecimento da cadeia da moda brasileira. Com uma metodologia baseada em dados e uma visão sistêmica do mercado, o instituto tornou-se referência nacional. “Nosso papel sempre foi o de traduzir números em estratégias, desafios em soluções, e oportunidades em negócios sustentáveis. É assim que ajudamos empresas a crescer e o setor a evoluir”, conclui Marcelo Villin Prado.
Conheça a trajetória do IEMI ao longo de seus 40 anos e inspire-se com os depoimentos de grandes executivos que ajudaram a construir essa história. Acesse: iemi.com.br/iemi-40-anos.
Confira os depoimentos dos executivos:
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